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.teatro | buenos aires

uma das coisas que gostei em buenos aires foi descobrir lugares escondidos, andar em ruas aleatórias sem saber direito aonde ir, pegar o primeiro ônibus que aparecesse só pra conhecer um pouco mais a cidade, fazia muito isso logo que vim para São Paulo e voltei a fazer isso lá. gosto da sensação de me sentir um pouco perdida, sem direção, com receio de entrar em determinada rua e mesmo assim seguir em frente. foi assim, que um dia voltando para o hostel, sozinha, vi uma porta estreita entreaberta, entrei, um pátio gigante, meio escuro, percebi que era um centro cultural, há muitos deles espalhados por buenos aires. tinham duas peças de teatro, uma de tango, me pareceu artificial, um tanto quanto duvidosa e outra sobre vincent van gogh, o mais comum seria assistir a de tango, já que estava em buenos aires, segui minha intuição e fui ver vincent.
Hola Vincent, sigue sintiendo perdido, solo y melancolico?
...yo comprendo.

.aniceto | buenos aires


saímos do hostel tranquilamente, pegamos o metrô e ele não andava, deu o horário da sessão e a gente estava dentro do vagão, saímos correndo pelas ruas de palermo, cortamos caminho pelo shopping, patinamos no chão escorregadio (cena bizarra), deu tempo. fomos ver aniceto, filme argentino de leonardo favio, indicação da recepcionista do hostel, falou que era um filme incomum, de difícil aceitação, mas que era muito bom, ela gostava do trabalho dele, que era o queridinho do cinema argentino. ótimo, esse mesmo, até porque as opções em cartaz não eram das melhores. é um filme pra ver no cinema, tinha horas que me esquecia que estava vendo um filme, parecia que era um espetáculo de dança, podia jurar que a qualquer momento eles iriam saltar da tela e pular do palco, a iluminação, cenário eram bem teatrais e a proporção dos atores na tela era no tamanho real, isso ajudava a dar essa impressão. caras e bocas, exageros, expressão corporal impecável, expressão facial bem a desejar, mas cenas lindas, trilha sonora muito boa, foi o meu tango que não vi em buenos.

.doris


banda argentina que conheci na tenda do Malba. muy buena

.pessoa mochileiro

levei Pessoa para dar um passeio, ele foi escolhido a dedo antes da viagem, infelizmente ou felizmente ele não foi uma companhia constante, sim, ele estava lá dentro da bolsa me esperando, vendo os parques, os museus, as ruas, os prédios antigos, ouvindo conversas aleatórias com pessoas aleatórias, andou pela rua jorge luis borges até chegar na decepcionante plaza cortázar, viu o mário me desenhar em córdoba, viu o aconcágua e neve no chile, as ruas cheias de árvores e as pessoas mais lindas da argentina em mendoza, foi ao teatro e ao cinema argentino, me viu conhecer pessoas de todos os cantos do mundo, jogando os mesmos jogos de baralho, me viu tomar sorvete freddo e um outro melhor ainda em palermo, me viu dançar ragaton, cumbia e eletrônica, conheceu muita música e bandas locais, entrou em 548451545123154 livrarias, conheceu a biblioteca nacional, viu exposições, muitas, milhares, andou de bicicleta em mendoza, conheceu bodegas e vinícolas, me viu experimentar vinhos e cervejas, me viu comer muito sanduiche de jámon crudo con queso, bifes gigantescos com batatas, choripans, empanadas, visitou o cemitério da recoleta, puerto madero, san telmo, caminito e todos os lugares turísticos, viu tango de rua, visitou lojitas fofas de design e craft, andou de autobus e subte, fez um tour pela universidade de palermo, entrou em muitas igrejas e catedrais,passou mais de 26 horas dentro de um ônibus sem uma parada, a base de alfajor, sanduiche e mirinda(fanta laranja), me viu colocar o pé nas águas geladas de viña del mar, andou de bondinho em valparaiso, viu muitos graffitis e arte de rua, me viu passar um tempo perdida nas ruas de buenos aires, com pensamentos silênciosos e me viu passar dias rindo e sorrindo com pessoas super queridas. Nesses 19 dias, quase não o abri, mas ele acompanhou e viveu, tudo.